terça-feira, 10 de novembro de 2009

A cidade dos homens nus

Era uma vez uma cidade onde todos andavam nus.
andavam nus e assim se reconheciam, sem rostos corados, sem alegrias exageradas, sem análise alguma, simplesmente nus.
já se passavam décadas e décadas desde que optaram viver assim. Fábricas de roupas, celebridades, moda, passarelas, nada disso fazia sentido naquele local, não tinham influência.
Outras preocupações existiam, a sinceridade alí tinha seu império, ninguém possuia uma capa para se esconder, um recato ao qual se reportar, sem mentiras, sem ilusões.
o que havia era apenas o nu em todo seu significado.
Um certo dia um forasteiro chegou naquela cidade, de jaqueta, calça, cinto e bota.
a todos assustava como aquele homem parecia, como fazia daquela roupa, sua segunda epiderme, sua mascara para o mundo.
conquistou mulheres, fez surgir boatos, brotaram mistérios e a dúvida era, não seria melhor assim? vestir-se de outro, cobrir a verdade, atrelar ao seu corpo uma camuflagem, camaleão.
o forasteiro se foi mas deixou seu legado.
todos passaram a usar roupas, a fingir ser algo que não eram, a esconder suas verdades que eram antes tão explícitas.
a vergonha voltou assim como as futilidades que antes não existiam.
e preocupações que não faziam qualquer sentido flutuavam no cotidiano da cidade.
o forasteiro virou lenda e desde então a mentira reinou absoluta no império da ilusão.

2 comentários:

Sal disse...

lindo e contraditoriamente triste, por ser verdadeiro!!!

post metaforico e pouco ficticio!!

adoro seus escritos!!! bjo

Elliott disse...

perigosa essa cidade
hhehehe

achei divertido seu blog.